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Método

Aprender através da curiosidade, da prática e da colaboração

A programação como forma de aprender a aprender, não como uma disciplina sujeita a exame.

Ilustração: uma coruja com barrete de finalista, pousada sobre uma pilha de livros ao lado de uma fila de livros.

Hacking Heroes tratou a programação como algo mais do que uma disciplina técnica.

O programa usou o código como um ambiente prático no qual os jovens podiam aprender a investigar problemas, testar ideias, trabalhar com outras pessoas e tornar-se aprendentes mais autónomos.

A programação é para todos

O propósito declarado do projeto não era ensinar os fundamentos de algumas linguagens de programação. Era defender que a programação se tornou uma terceira língua — a par da língua materna e de uma língua estrangeira — que todos deveriam compreender a um nível básico para entender o mundo e as mudanças que nele acontecem.

Esse argumento dirigia-se tanto aos adultos como aos adolescentes. Os fundadores afirmavam explicitamente que a perceção da programação como difícil, especializada ou inacessível é reproduzida por quem a ensina, e que mudar a forma como os jovens a veem implica mudar primeiro a forma como os seus professores a veem.

Aprender fazendo

Os participantes aprenderam programação utilizando-a.

Em vez de tratar o código como uma disciplina abstrata, o programa ligou as competências técnicas às ideias que os participantes realmente queriam concretizar. Os workshops foram organizados em torno de trabalho de projeto, que culminou num hackathon onde as ideias tiveram de enfrentar uma equipa real e um prazo real.

Aprender a aprender

O conhecimento técnico era a primeira camada, não o objetivo.

O objetivo declarado era que os participantes saíssem capazes de encontrar informação, fazer melhores perguntas, avaliar o que encontravam e continuar por conta própria. Ambos os fundadores eram autodidatas — um deles explicitamente, tendo construído uma carreira a partir de livros, conferências, workshops e prática — e o currículo refletia a convicção de que esta é uma competência que se pode ensinar, não um traço de personalidade.

Dividir o trabalho em partes

Os participantes praticaram a divisão de problemas complexos em tarefas menores e depois a distribuição dessas tarefas por várias pessoas.

Esta é uma prática profissional comum e quase nunca é ensinada na escola. No Porto, deixou de ser um exercício: equipas de quatro pessoas tinham cinco dias, tempo suficiente para construir algo apenas se o trabalho fosse dividido de forma sensata.

Colaboração e responsabilidade partilhada

Como as equipas eram internacionais, a colaboração não podia ser tomada como garantida. Tinha de ser organizada — numa segunda língua, entre pessoas que se tinham conhecido poucos dias antes.

O projeto tratou o atrito daí resultante como parte do currículo, e não como um obstáculo ao mesmo.

Cultura de código aberto

Os participantes conheceram o software de código aberto: o que é, como utilizá-lo e como contribuir para ele. A intenção era que vissem o software como algo criado por pessoas a quem se podiam juntar, e não como um produto acabado que lhes era entregue.

Os próprios materiais do projeto deveriam funcionar da mesma forma, publicados sob uma licença aberta para que outros educadores lhes pudessem dar continuidade.

Erros e experimentação

Um programa baseado em fazer coisas é necessariamente um programa em que as coisas falham. Os workshops foram estruturados para que algo não funcionar fosse o estado normal de um projeto inacabado, e não prova de uma resposta errada.

Apoiar os educadores

A par dos workshops para jovens, o projeto realizou um workshop de metodologia de dois dias para professores e pessoas que trabalhavam com jovens aprendentes, e produziu materiais para estes reutilizarem.

Esta era a parte do projeto concebida para lhe sobreviver. Os workshops ensinaram dezasseis jovens em Kalisz e um grupo de dimensão semelhante em Espinho; o trabalho de metodologia destinava-se a todas as pessoas que esses educadores viriam a ensinar.